segunda-feira, 16 de março de 2015

A BAILARINA E O SOLDADO

Minha caixinha pequena
Fica vazia sem tua presença
Meu balé perde a graça
Se não vens comigo bailar!
Incrível como perco tempo
Arrumando esta caixa
Só para esperar o momento
De tua chegada
Quando deixas de lado tuas armas.

Sou tua bailarina encantada
Que com fino ouro em pó
Vai enfeitando a caixa
Levo na cabeça tiaras bem ornadas
Na espera de tua chegada

Fizestes de mim
Tua bonequinha de luxo
que espera o soldadinho
sedento de amor...

Só para constar, minha vida
 não passa de um breve esperar
Um conto de fadas
Onde sempre voltas ao lar
Para outra vez me amar!

Sou teu brinquedo mais caro
Teu compromisso mais amado
Uma criança, brincando em teu braços
Incrível como somos perfeitos
Neste nosso mundo encantado
A bailarina da caixa de música
E o soldadinho de chumbo desarmado!


“Ao que nosso coração exige do amor, no sentido próprio do sofrimento, devemos acima de tudo amar o ser que ainda é nosso. Por isso escolha seu caminho, livre ou preso ao que for, pois não haverá dúvidas no que for seguir. Saibamos apenas não criar um limite, mas sim, um horizonte ilimitável”

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

ANO NOVO

Não gosto de calendários do tipo que ficam pendurados na parede em um preguinho e que acabam caindo toda vez que sopra uma brisa leve... Além do mais, acho brega! Confesso, porém, que tenho uma quedinha por aqueles de ímã que a gente gruda na geladeira... Devem ser mais caros do que as tais folhinhas chatas que todas as ferragens tentam me empurrar ao final de cada ano, pois dificilmente consigo deste tipo. No ano de 2013 tive um. Prático, pois sempre que desejamos conferir uma data, lá está ele a disposição. Sem falar no prazer que dá tirar, ao final de cada mês, suas folhinhas. Dá a impressão de que conquistei mais uma batalha e uma nova inicia. Porém, A última folhinha é sempre mais difícil. O mês de dezembro... exito por alguns momentos em tirá-la dali, mas não há o que fazer... Sempre penso na falta que me fará, principalmente pela dificuldade de substituí-la. Então, fica ali uma lacuna entre os demais ímãs de gás, tele entregas e água... Uma lacuna que poucos entenderão. Não é só pela falta que me fará, mas pela simbologia que ela carrega... lacunas que não foram preenchidas no ano que se foi, dúvidas se serão preenchidas neste ano... datas que se entrelaçaram entre um ano e outro e compromissos que não poderão ser esquecidos. O pior de tudo é olhar para o local e ver aquela lacuna, vazia, sozinha e fria... Quando serão preenchidas? Serão? Aos poucos esquecerei daquele pequeno pedaço de papel e da falta que ele me fará. Lembrarei de tudo que ainda não foi resolvido? Talvez algumas lacunas jamais possam ser preenchidas... Aquele pequeno vão, vai ficando ali, dia após dia, na esperança de preenche-lo. Fica aberto em minha vida todo meu tempo e meu mundo desejando que 2014 não deixe lacuna nenhuma!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Imperativo



Esqueça, por favor, do meu amor!
Esqueça de mim, sem temor!
Trate-me como um desertor!
Por favor, deixe a chave
Dentro do vaso pintado,
E o quebra luz da sala ligado,
Saia de fininho, obrigado!
Não espie pela porta do banheiro,
Nem tente tocar em meus cabelos molhados,
Nem disfarçando, assim meio de lado...
Apenas bata a porta e vá, obrigado!
Sempre se é mais feliz sozinho
Do que em um mundo inventado!
Tuas palavras fúteis e frias
Nunca valeram nada
E, muito menos, tua falta de coragem!
Vá logo embora,
Se não quiseres ouvir mais nada...
Volta para tuas mentiras,
Eu ficarei quieta e calada...
Sobre tua alma vazia
Já não posso fazer mais nada!
Só faça o favor de deixar
A grana da obra inacabada
E não te pedirei mais nada.
Aproveita e apaga
Esta bagana do meu cigarro
Com teu sapato surrado,
Por que depois da tua última palavra
Já não sentirei mais nada
Vai e não diz mais nem um “ai...”
Saia da minha casa!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Solidão

Estou só e sem ninguém.

Pela janela de minha prisão

Vejo o tempo passar.

Não canso de esperar

Um rosto conhecido,

Um olhar querido...

No entanto, sorrindo deixo

Que lágrimas se escondam

Dentro de minha alma.

Um soluço emudece minha garganta

Numa falsa calma

Sussurrando em meus ouvidos

A balada noturna dos desejos,

Numa canção de sonhos confusos.

A ilusão se desfez em pó...

A minha grande dor,

Entre tantos medos

É viver pra sempre tão só...



1986

Poema de abril

Agora que é abril
E o mar se ausentou,
Secou meu encanto,
E teu amor acabou...

Agora que é abril,
Segui a trilha
Do meu espanto
Por permitir este amor...

De tua fonte pensava
Jorrar esperança e acalanto.
Percebi tarde demais
Não era água, nem nada,
Era só pranto...

Agora que estou febril,
E de uma vez por todas
De ondas morro em mim... 
Morre minha carne
E em gestos cálidos feneço
Cantando como mórbida sereia
Entre as dores de abril...

2010

Minhas botas

Calço sempre um par de botas
E tenho uma alma desnuda
Trago certezas na fala
E verdades bem cruas

Tenho uma língua afiada
E palavrões que torturam,
Quem não me conhece pensa
Que tenho uma cabeça vazia...

Saio de casa apressada
Com minha bolsa
Sempre entreaberta.
Vivo no mundo da Lua,
Sonhando a cada dia
Em ser bem mais madura!

Assim, vou levando a vida...
Calçando botas coloridas!
Sei que muitos acham
Que sou uma “boca aberta”,
Mas, das minhas botas,
Limpo sempre minhas merdas...

2013